Nós, algumas vezes, nos sentimos diminuídos por não termos atendidos nossos anseios quanto a determinadas situações dentro do meio em que atuamos. É uma promoção no ambiente de trabalho, é uma tarefa em alguma instituição, um salário mais folgado, um carro melhor…

E em alguns momentos acabamos tendo o sentimento que a vida não é lá muito justa.

Parábola dos talentos e das minas – nos traz alguns elementos de reflexão, que podem ser úteis para encontrarmos possíveis causas dos nossos insucessos.

Eles tratam dos deveres que nos tocam, no desempenho das nossas obrigações sejam elas de ordem material, moral ou espiritual.

A nossa existência é um compromisso permanente e intransferível com nossa própria evolução, com o objetivo de romper as amarras que nos atrelam ao passado, de romper com os hábitos nocivos, com os vícios e os erros, adquirindo as virtudes necessárias para o nosso ingresso em condições evolutivas cada vez melhores, até a condição de pureza.

Assim, cada indivíduo vem à vida para desempenhar determinado papel, condizente com o seu grau de evolução. Trazemos conosco valores para serem utilizados no decorrer da nossa existência, nas diversas situações que se apresentarão.

Aqui, começamos a perceber a justiça divina nas experiências que nos ocorrem. Se elas estão no nosso caminho, nós com certeza trazemos conosco os recursos para o nosso êxito, qualquer que seja a circunstância.

O frio não é maior do que o cobertor, o peso não é maior que as costas…

A parábola das minas traz bons elementos de reflexão. Vejamos:

Certo homem nobre partiu para uma terra remota, a fim de tomar para si um reino e voltar depois.

E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até que eu venha. Mas os seus concidadãos aborreciam-no e mandaram após ele embaixadores, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós.

E aconteceu que, voltando ele, depois de ter tomado o reino, disse que lhe chamassem aqueles servos a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que cada um tinha ganhado, negociando.

E veio o primeiro dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas.

E ele lhe disse: Bem está, servo bom, porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás a autoridade.

E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas. E a este disse também: Sê tu também sobre cinco cidades.

E veio outro, dizendo: Senhor, aqui está a tua mina, que guardei num lenço, porque tive medo de ti, que és homem rigoroso, que tomas o que não puseste e segas o que não semeaste.

Porém ele lhe disse: Mau servo, pela tua boca te julgarei; sabias que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não pus e sego o que não semeei. Por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o exigisse com os juros?

E disse aos que estavam com ele: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem dez minas. E disseram-lhe eles: Senhor, ele tem dez minas. Pois eu vos digo que a qualquer que tiver ser-lhe-á dado, mas ao que não tiver até o que tem lhe será tirado. E, quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os diante de mim.

Logo no início da parábola nós percebemos a figura do Mestre Jesus, com toda a sua nobreza moral descendo das esferas superiores para estar conosco, na figura do certo homem nobre que partiu para uma terra remota a fim de tomar para si um reino e voltar depois.

A terra era distante, nos indicando que a diferença, a distancia vibratória nossa para com Ele. E nesta terra é que Ele, o Nosso Senhor veio dar o testemunho da verdade.

Mandou chamar os servos…

Aqui, pela fala de Jesus, percebemos a incitação ao trabalho, ao esforço capaz de impulsionar o progresso.
Mas os seus concidadãos aborreciam-no e mandaram após ele embaixadores, dizendo: não queremos que este reine sobre nós.

Aqui está representada a humanidade, com seus espíritos rebeldes, indolentes. Que persistem no mal, trabalhando ainda para desviar as consciências do caminho reto. Estes maus servos espalham guerra, morte e horror sobre o reino há milênios. Eles tentam coibir o império do amor, da fraternidade universal, com os seus desvios de conduta. Eles seguem criando doutrinas pessoais( e aqui não são só doutrinas religiosas enganosas, mas modos de viver ilusórios, do materialismo sobre o espírito, substituindo o Criador pela criatura, disseminando a fé no perecível, ao invés da fé nos preceitos do Cristo).

E assim seguem recusando sobre si o reinado do Cristo.

E, voltando ele, depois de ter tomado o reino…

Então é a hora da prestação de contas. Do confronto entre a consciência com a realidade dos fatos. Jesus não vai apontar o dedo para ninguém, porque Ele mesmo afirmou que a ninguém julga. Nossa consciência se encarregará disto. O nosso campo vibratório, decorrente da nossa evolução ou da nossa persistência no erro falarão por nós.

E veio o primeiro… As primeiras minas são do Senhor e as outras foram produzidas pelo servo. São as suas obras, o fruto do seu esforço. Assim, ele receberá mais, pelo bom aproveitamento das oportunidades que todos nós recebemos. Ele garantiu a confiança do Senhor.

Do mais rico ao mais pobre, todos vimos preparados para dar boa produção. Se isto não acontece, não é por culpa de Deus ou do destino.

E veio o segundo… E assim, como o primeiro, o segundo também tinha lucros a apresentar. E este também agradou o Senhor. Este também mereceu a confiança para administrar mais, proporcional à sua capacidade.

Observemos: um apresentou dez, outro somente cinco. E ambos agradaram ao Senhor… Deus não exige que nossa produção seja igual a de qualquer outro. Dentro do que damos conta, dentro do que conseguimos é que ele nos pede. Que seja dez, seja cinco ou seja um.

E então, veio o outro… O que ele tinha? Exatamente o que tinha recebido. Não havia acrescentado nada. E qual o motivo apresentado? Medo. Poderia ser preguiça, poderia ser indiferença, poderia ser por protelação, indolência. (Deixa eu me concentrar nos meus interesses agora. Depois que eu tiver estabelecido a minha carreira, depois que eu criar os meus filhos, depois que meus pais morrerem. Aí eu vou procurar uma ONG e vou me dedicar a alguma causa). Será que eu vou ter este tempo todo? Ninguém sabe a hora em que virá o Senhor… ninguém sabe a hora desta prestação de contas…

E, todos nós conhecemos o rigor das leis divinas, que regem o destino. Jesus nos advertiu muitas vezes. Mas nós preferimos ignorar e fugir das nossas obrigações.

E qual foi a reação do Senhor?

– Mau servo!… É o chamamento à responsabilidade, é o alerta para o julgamento que pesa sobre todos os que deixamos de fazer o que devemos.

Estes valores, a que o Senhor se refere, não são só bens, os recursos financeiros que facilitam a vida. Mais do que isso, simboliza o conhecimento, e todos os recursos materiais e espirituais que nos chegam, para auxiliar no nosso progresso.

São recursos preciosos, que devem ser utilizados com sabedoria e com a parcimônia de quem valoriza o que é útil e bom.

E disse aos que… Percebemos que, se não rendemos frutos em nossa existência, o nosso livre-arbítrio fica comprometido, passando a criatura a ter a sua liberdade cerceada pela Lei, que age disciplinando. O livre-arbítrio é força que age de dentro para fora. A Lei de causa e efeito age de fora para dentro. Dentro da primeira, somos senhores. Se caímos sob a segunda, passamos a ser escravos.

Quem não faz bom uso da liberdade, acaba por perdê-la, sendo cerceado pela Lei de causa e efeito, restringindo a ação da criatura, educando-a na direção das atitudes corretas.

Mas, o que mais pesou contra o servo infiel? O conhecimento. Ele sabia do rigor das leis, e ainda assim, prevaricou.

Deus perdoa o tempo da ignorância. Mas muito será pedido a quem muito recebeu.

Pois eu vos digo que a… Nada mais justo que recompensar a fidelidade no cumprimento dos deveres. A fidelidade prova o seu mérito.

Portanto, entre desejar e merecer, cabe um exame de consciência. Porque eu não sou escolhido para determinada tarefa? Porque eu não recebo o que peço? Porque eu não tenho o que fulano tem?

No íntimo de cada um é que vai estar a inquirição: o que eu tenho feito do que recebi? Que aplicação eu dei a elas. Eu me esforçei para multiplicar este patrimônio que me foi confiado?

O tempo malbaratado, o recuo diante das oportunidades, por medo, por negligência ou por preguiça, será o que atormenta a consciência.

Buscai primeiramente o reino de Deus e tudo o mais lhe será acrescentado.

E quanto àqueles meus inimigos… Quem morre se afasta da presença. Continua a existir em outro plano, em outro nível, mas não está mais presente fisicamente.

Aqui encontramos o mesmo sentido da advertência das trevas exteriores de que nos alertou Jesus. Recusar a presença da luz é o mesmo que morrer. É se atirar voluntariamente às trevas.

Assim, antes de proferirmos vôos mais altos, precisamos fortalecer nossas asas. Antes de pleitearmos grandes bênçãos , precisamos aprender a valorizar e administrar as pequenas.

Se não podemos liderar grande número de almas, podemos colaborar com as individuais que nos chegam a todo momento.

Se não possuímos grandes faculdades mediúnicas, nada impede que, através da palavra, possamos interpretar as mensagens para quem não consegue sequer entendê-las.

Muitas vezes, antes de convocar-nos a trabalhos maiores, a espiritualidade nos testa em tarefas menores, para examinar até onde seremos merecedores de confiança.

Portanto, é necessário valorizar exatamente o que temos neste momento. Sou uma mãe e administradora do lar, ao invés da executiva que desejaria ser? Aqui é que sou chamada a laborar com o máximo amor.

Sou um trabalhador braçal, ao invés do intelectual que gostaria? No trabalho braçal está o talento que me foi confiado. Então, que eu me esforce para ser o melhor, o mais competente, o que mais colabora.

Como disse o Chico, nascemos exatamente onde precisávamos, temos exatamente o que necessitamos, estamos exatamente onde deveríamos. Nada nos impede de lutar pela melhoria de nossas condições, mas sem stress, sem angústia, sem agonia e sobretudo, sem desacreditar na providência divina.

 

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